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A importância de um código de cores para pessoas com deficiência visual

Conhecer as cores torna as pessoas independentes e capacitadas a fazerem suas próprias escolhas, uma vez que um deficiente visual não consegue fazer a identificação da cor, ele está excluído da sociedade e dependente de terceiros.

Os mapas táteis são produtos cartográficos que comunicam informações de natureza geográfica para pessoas com deficiência visual. A maioria das variáveis gráficas visuais pode ser representada em alto relevo, com exceção da variável cor. Contudo, o uso de códigos de cores em mapa tátil pode ser uma alternativa para incluir a capacidade cognitiva das pessoas cegas sobre as cores.


O que é o see color e como o código funciona?

“O See Color, assim como o braille, é uma linguagem destinada a pessoas com deficiência visual” (SITE SEE COLOR).

Ele é um código fácil, inclusivo e universal. No logo do código See Color, notam-se três cores primárias, três cores secundárias, as cores primárias vermelho, amarelo e azul posicionam-se nas extremidades do código e as cores secundárias laranja, verde e roxo ficam entre as primárias.


O alto relevo, utilizado para se fazer a leitura do método, é constituído apenas de um ponto sempre na posição central e duas linhas: uma linha em diversas angulações, com a mesma lógica do relógio com um ponteiro só, e a outra linha estática na horizontal abaixo.



O código possui variações das cores primárias e secundárias em relação a luminosidade, além do preto e do branco.


A origem do see color

O see color foi projetado para a tese de doutorado da Dra. Sandra Wt Marchi, do curso de Pós-graduação de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A defesa do doutorado foi realizada no ano de 2019, logo é um projeto recente.



Desvantagens

Entende-se que o principal desafio para uso deste sistema em mapas seja a sua implementação nas primitivas gráficas linha e ponto, entretanto, por ocupar o espaço de uma cela Braille demonstra-se mais compacto do que os demais modelos. Outra desvantagem é a possibilidade do usuário confundir os códigos das cores terciárias (claras ou escuras) representadas pelo arranjo dos pontos alinhados a partir do centro do código.


Pesquisas relacionadas

Embora a ideia de criar um código específico para deficientes visuais em mapas táteis seja recente, já existem dois trabalhos publicados sobre o assunto.


O primeiro estudou a possibilidade de aplicar o See Color em vários contextos como em embalagens de produtos, em livros de arte, em revistas, em etiquetas sinalizadoras e na comunicação universal de cores para pessoas com deficiência visual, com daltonismo, baixa visão e demais contextos, que necessitam da comunicação tátil.

Os resultados do processo de embossing foram aceitáveis, pois, as características morfológicas dos elementos do See Color, não sofreram nenhuma deformação durante o processo. Nas amostras de papel cartão, há uma textura maior que nos outros materiais, porém é aceitável. O PVC foi considerado o material mais apropriado para o serviço e, em seguida, o metal.


O segundo avaliou a aplicação do See Color em mapas táteis. Assim, foram propostos três objetivos específicos considerando a capacidade cognitiva das pessoas cegas: verificar se o usuário entenderia/decodificaria o código de cor no momento da inferência do matiz representado em cada região dos mapas; verificar se os códigos escolhidos para os matizes teriam significado hierárquico que permitissem inferir quais regiões seriam quentes e quais seriam consideradas frias; e, verificar se o código seria eficaz para gerar conhecimento espacial em consonância com o tempo utilizado para cumprir as tarefas.

A conclusão desse estudo foi que, para os usuários com memória visual das cores, o processo de comunicação cartográfica foi completo, reconheceu o código, decodificou a informação e gerou conhecimento espacial, porém essa comunicação não foi eficaz para os cegos congênitos. Pode-se dizer que esse modelo See Color de temperatura foi eficaz para informar a cor para todos os indivíduos no aprendizado do código e na leitura do código, entretanto, a sua associação com sensação térmica (região quente ou fria) intrínseca ao tema foi eficaz apenas para os cegos adquiridos.


Redator: Iago Mello

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