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Locação de obras

Para realizar a locação de uma obra, primeiro é necessário executar o levantamento da área, a fim de obter as coordenadas dos pontos de interesse. Sem eles não é possível fazer a locação, pois não existirão pontos para locar.

Tanto o levantamento quanto a locação são elaborados de acordo com a precisão exigida no serviço, ou seja, as metodologias e os equipamentos utilizados são escolhidos de acordo com a precisão que se deseja alcançar. Além disso, a precisão da locação é diretamente proporcional a precisão obtida no levantamento topográfico, pois a incerteza gerada na etapa do levantamento se propaga para a locação da obra.


É importante ressaltar que a locação sempre deve ser feita em coordenadas locais, Sistema Geodésico Local (SGL) ou Sistema Topográfico Local (STL), porque os pontos são locados, em função das coordenadas, na superfície física da Terra e não na superfície elipsoidal. Como coordenadas elipsoidais e coordenadas UTM utilizam o geoide como superfície de referência, elas não devem ser utilizadas. Essa divergência de superfícies de referência provoca variações nas coordenadas e interfere na hora da locação. Ou seja, o levantamento pode até ser realizado com coordenadas UTM ou elipsoidais, porém, na hora da locação, elas devem ser convertidas para SGL ou STL.


Os tipos ou métodos de levantamentos utilizados para implantação de

obras são:


  • Irradiação – consiste em estacionar em um ponto B e dar ré em um ponto A, criando assim uma linha base, que será utilizada como linha de referência para irradiar os demais pontos de interesse. As coordenadas dos pontos A e B podem ser conhecidas ou arbitradas, pois todas pertencem ao mesmo sistema de referência e, consequentemente, estão em função umas das outras. Esse método é utilizado para áreas pequenas, pois quanto maior a distância da linha de referência menor é a precisão do levantamento;


  • Poligonal com irradiação apoiada em pontos de controle – diferente da irradiação, esse método não utiliza uma linha de base ou linha de referência, mas sim uma poligonal, na qual todos os seus vértices podem possuir irradiações. Com isso, esse método pode abranger áreas maiores que o anterior;


  • Redes locais realizadas com triangulateração (ângulos e distâncias) – método mais preciso, geralmente empregado na confecção de túneis e pontes. A triangulação possui mais graus de liberdade e uma geometria mais complexa, o que reduz a propagação dos erros e fornecer coordenadas mais precisas para os vértices. Depois a obra pode ser locada em qualquer lugar próximo a rede;


  • Redes locais realizadas com o posicionamento por satélites sendo que os vetores devem ser independentes e referenciados em redes de vértices de controle – utiliza o mesmo princípio do método anterior, porém as coordenadas dos pontos dos vértices são obtidas por meio de GNSS. Não trabalho com ângulos, mas sim com vetores. As coordenadas GNSS formam entre si vetores GNSS, ou (variações), , e (Sistema Espacial). Dependendo da precisão exigida, pode ser utilizado o RTK.

Para auxiliar no levantamento, podem ser utilizadas redes de vértices de apoio, que são realizadas a partir de estações geodésicas do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), que atualmente utilizam a Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC), pois, além das anteriores serem de difícil acesso, ela é ativa e sempre possui receptores.


Essa rede permite a criação de vetores entres os receptores da RBMC (com coordenadas bem definidas) e os pontos de controle utilizados na obra, que auxiliam no ajuste e na obtenção das coordenadas desses pontos. Com isso, podem ser geradas poligonais de apoio para a obra ou até mesmo redes locais e, consequentemente, todos os pontos utilizados na obra serão gerados em função dos receptores da RBMC utilizados, com base no SGB.


Já locação pode ser feita com a estação total na parte planimétrica e, até mesmo, na parte altimétrica e leva em conta o ângulo de referência, ou azimute, e a distância até o ponto a ser locado. Os pontos de locação sempre irão possuir coordenadas previamente determinadas. Especificando o método de locação para cada método de levantamento, respectivamente, tem-se:


  • Irradiação – pode ser realizada a locação com irradiação ao colocar a estação em um dos pontos de controle (B), da linha de base, e zerar seu ângulo em direção ao outro ponto de controle (A). Depois só é preciso, por meio de expressões matemáticas, encontrar os ângulos existente entre A e as irradiações desejadas, já que as distâncias já são conhecidas, e usar o modo locação da estação total. Outra forma é por meio do acréscimo do azimute de B para A no limbo da estação e depois utilizar os azimutes encontrados para as irradiações e as distâncias no modo locação da estação total;


  • Poligonação – A diferença desse método de locação para o anterior é que, ao invés dele partir da própria irradiação ele parte da poligonação, então o ponto de referência é o vértice anterior ao vértice de onde se está fazendo a irradiação. Os ângulo e distâncias dos vértices para as irradiações são calculados e o modo locação da estação total é utilizado;


  • Redes locais realizadas com triangulateração – Um dos vértices utiliza outro vértice da rede como referência para obter informações de ângulo e distância para demais pontos de interesse da obra, com isso, é utilizado o modo de locação da estação total;


  • Redes locais realizadas com o posicionamento por satélites – Mesma lógica que o método anterior.

A locação não depende dos pontos de apoio da irradiação, da poligonal ou das redes. Logo, outros métodos utilizados para a locação de obras são:


  • Locação a partir de um dos marcos da direção de referência – caso pontos de referência não existam mais, não estejam mais materializados, é possível encontrar os pontos da obra desejados a partir de suas coordenadas previamente calculadas e de novos pontos rastreados próximos ao local (pelo menos dois). Para isso, podem ser utilizados o GNSS, os receptores da RBMC ou, até mesmo, o pós-processamento pelo PPP do IBGE. Basta calcular as diferenças de ângulos e distâncias desses novos pontos para os pontos de interesse e utilizar o modo locação da estação total;


  • Estação livre – consiste em estacionar em um ponto qualquer da obra (de coordenadas desconhecidas) e fornecer a estação total as coordenadas de um dos pontos de referência e uma das irradiações, que o equipamento calcula os ângulos e as distâncias entre eles. A própria estação total já está preparada para calcular a estação livre a partir do comando interno chamado “Estação livre”. Depois basta visar o ponto de referência e locar o ponto de interesse da obra;


  • Estação livre com controle das medidas – possui a mesma lógica que o método anterior, porém é possível calcular as incertezas nas locações dos pontos, já que as medições das distâncias e dos ângulos para os pontos de locação são realizadas mais de uma vez;


  • Por GNSS RTK – é feita a partir de uma base, determinada a partir de uma estação geodésica, normalmente da RBMC. A coordenada, previamente calculada, do ponto de locação é introduzida no RTK, que é utilizado o modo de locação por receptor móvel a partir do comando “Go to”. No primeiro ponto é necessário apontar o receptor para o norte, senão o ponto será locado de forma errada, pois não existem outras referências, só essa. Já o segundo será locado em relação ao primeiro. Algumas recomendações para esse método são: colocar a base sempre no ponto mais alto da obra, para que não haja interferência; sempre verificar a bateria dos receptores; sempre esperar que os receptores resolvam as ambiguidades antes de iniciar a locação; e fazer uma segunda locação para conferir.


Em relação a parte altimétrica, ela pode ser realizada com o nível ou com a própria estação total e é sempre bom ter uma RN por perto para utilizar como ponto de referência.


Alguns métodos utilizados na locação altimétrica são:


  • Locação com nível ótico mecânico e mira topográfica – a mira é colocada na RN, que é visada para que, em seguida, sejam visados os pontos de interesse da obra a fim de conferir suas cotas e analisar se será necessário um corte ou um aterro;


  • Locação com nível eletrônico e mira de código de barras – mesma lógica utilizada acima, porém o nível eletrônico calcula as diferenças de nível automaticamente;


  • Locação altimétrica com estação total – também conhecido como Salto de Rã, consiste em visar ré e vante sem a necessidade de calcular a altura do instrumento a fim de descobrir a diferença de nível entre os dois pontos. É aconselhado deixar a estação com distâncias parecidas entre os prismas visados, porém, em locação de obras, nem sempre isso é possível. A diferença de nível observada é analisada e para saber se será necessário um corte ou um aterro no local;


  • Nivelamento trigonométrico – também conhecido como método tradicional, consiste na medição da diferença de nível em relação a estação total, para isso é necessário calcular a altura da estação. A diferença de nível também é observada é analisada e para saber se será necessário um corte ou um aterro no local.



Agora você já está por dentro da locação de obras, mas e ai? curtiu a leitura? Não se esqueça de curtir, comentar e caso tenha alguma duvida, entre em contato, nossa equipe está pronta para sana-la.


Redação: Larissa Goulart

Revisão: Setor de Projetos e Marketing

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